"NOTAS DE UM PEQUENO CADERNO" de Teresa Bernardino / Teresa Ferrer Passos
EVOLUCIONISMO OU CRIACIONISMO?
(150º Aniversário da publicação de A Origem das Espécies de Charles Darwin)
O Evolucionismo por selecção natural surgiu como uma revolução para a ciência e para a teologia. O criacionismo pareceu ter recebido, com a obra A Origem das Espécies de Charles Darwin, uma contestação irremediável. Contudo, a ideia de origem transcendente do universo não foi tão atingida como pareceu na sua época (e ainda hoje parece ser, de um modo imediato). A obra O Fenómeno Humano de Pierre Teilhard de Chardin (1875-1955), publicada em 1940, é um dos mais interessantes alertas contra essa interpretação.
Os novos conhecimentos da ciência actual também não podem infirmar, com unanimidade, esta origem divina do universo. Como acentua o investigador Fernando Henrique de Passos, podemos continuar a afirmar que não há contradição da teoria evolucionista com a origem transcendente do mundo e designadamente do ser humano.
15/1/2009
Teresa Ferrer Passos*
*Ortónimo de Teresa Bernardino
Fonte: Internet, www.harmoniadomundo.net
O "Magalhães" e a Cultura Infantil
Os alunos de uma escola do 1º ciclo do ensino básico, em Setembro de 2008, começaram a utilizar o computador portátil "Magalhães", de concepção portuguesa, após a distribuição deste, pelo Primeiro-Ministro, Eng. José Sócrates.
A Venezuela adquiriu, na ocasião, um milhão de exemplares − visita oficial a Portugal do Presidente Hugo Chávez − destes mágicos auxiliares de estudo, para crianças.
A 3 de Outubro, o Primeiro-Ministro assinou um contrato com o Presidente Executivo da Microsoft, Steve Ballmer, com vista ao fornecimento de software e conteúdos, etc, para aplicação no "Magalhães".
Trata-se de um computador portátil feito em Portugal pela empresa J. P. Sá Couto, só a pensar nas crianças, entre os seis e os dez anos.
A modernização da sociedade portuguesa não pode deixar de começar pelo sector industrial, o principal motor do enriquecimento das nações. Uma lufada de ar fresco entra, desde já, nas escolas portuguesas.
O projecto científico-tecnológico do Governo do Eng.º José Sócrates poderá começar, sem dúvida, a ganhar visibilidade internacional, muito em breve, se houver uma eficaz divulgação no estrangeiro, deste instrumento tecnológico para as crianças.
Uma verdadeira transformação na política de produtividade, em Portugal, está em curso. Que seja bem sucedida.
Que o nosso país volte a ter os benefícios que conquistou com a industrialização levada a cabo pelo Marquês de Pombal, Primeiro-Ministro do rei D. José I.
3 de Outubro de 2008
Teresa Bernardino
Fonte: Internet, www.harmoniadomundo.net
VAN DER WEIJDEN
(e a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos
de Pequim/2008 na modalidade de águas abertas)
O holandês Maarten Van Der Weijden tornou-se campeão Olímpico da Maratona de águas abertas (prova de 10 km). A medalha de ouro foi conquistada, após ultrapassar o inglês David Davies (era o favorito nesta prova). Este tivera a liderança da competição durante grande parte da prova. Faltavam 400 metros para a meta, quando Van Der Weijden, já com um atraso do seu adversário de dois corpos (vantagem considerada "irrecuperável"), aumenta a velocidade a que se deslocava e ultrapassa Davies, chegando à meta em primeiro lugar.
Tudo isto não seria espantoso, se Van Der Weijden não tivesse contraído uma leucemia há sete anos. A vitória agora atingida só foi possível graças à sua notável persistência após o diagnóstico da terrível enfermidade. Era já nessa ocasião um atleta de nomeada. Mas a doença mortal que o espreitava, não o impediu de continuar a sua corrida para as vitórias aquáticas que conquistara nos anos anteriores.
Como ele próprio afirmou, agora que conquistou o troféu mais ambicionado por um atleta, a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, foi a paciência que o tempo de hospitalização e de recuperação posterior lhe deram, o seu grande mestre. A força psíquica ganha, ao longo destes anos difíceis, ofereceu-lhe agora a vitória merecida.
A grande luta que travou para vencer a doença foi a escola deste triunfo olímpico. E, um atleta pouco digno de ter sido adversário de Weijden, David Davies, entrou em desespero ao verificar que não há vitórias impossíveis, mesmo quando não se esperam, vindas, precisamente, de um nadador tão massacrado pela debilitação provocada pela leucemia. Maarten Van Der Weijden ganhou também uma outra "medalha de ouro", a da força infinita da vontade.
22/8/2008
Teresa Bernardino
Fonte: Internet, www.harmoniadomundo.net
CARTA
Para conhecimento de quem possa defender os deficientes motores do pessoal de Piscina Municipal do Restelo em Lisboa:
Lisboa, 5 de Março de 2008
Á atenção
do Ex.mo Senhor Presidente da Câmara de Lisboa,
do Senhor Vereador do Desporto
e do(a) Senhor(a) responsável pela Piscina Municipal do Restelo em Lisboa
«Devido ao encerramento para obras da Piscina Municipal do Casal Vistoso em Lisboa, fui pela 4ª vez à piscina municipal mais próxima de minha casa, a municipal do Restelo. A recepcionista Manuela Gonçalves mais uma vez me pediu o termo de responsabilidade (que entrou em vigor em 2007) e que já não costumo mostrar na piscina do Casal Vistoso em Lisboa, pois vou lá 3 vezes por semana com meu marido.
Costumava frequentar a piscina do Areeiro, desde 1981, por indicação de médicos ortopedistas e fisiatras, devido ao agravamento de lesões da coluna cervical e lombar, e devido à necessidade de não perder mais a força muscular da perna e braço direitos, na sequência de poliomielite contraída aos 11 anos.
Aprendi a nadar na piscina do Sport Algés e Dafundo, pois residia, então, em Algés. Aprendi todos os estilos de natação. Nunca, nas piscinas municipais de Lisboa nem do Algarve ou do Minho, me exigiram exames de natação, pois os monitores e outro pessoal via que eu podia andar fora de pé por saber nadar, até de acordo com a diversidade dos estilos que praticava.
Há dois anos sofri uma pequena fractura, o que levou os médicos a prevenir-me de que era indispensável fazer todos os movimentos de que fosse capaz de fazer numa piscina, para melhor recuperação da força muscular. Em 26 anos de frequência das piscinas municipais de Lisboa, nunca me obrigaram a fazer qualquer exame de aptidão para ser autorizada a nadar ou a fazer os exercícios que quisesse nas piscinas municipais.
Hoje, como disse, já pela 4ª vez, (a piscina do Casal Vistoso ainda está fechada para obras), fui à piscina municipal do Restelo, esperando aliviar, como costuma acontecer, as dores musculares, sobretudo da coluna vertebral. O que aconteceu foi o seguinte: a recepcionista Manuela Gonçalves, entendeu que o termo de responsabilidade não chegava e eu tinha de ser sujeita a um exame de avaliação de estar ou não apta para nadar. Isto passou-se por volta das 13 horas, pois a meu marido não é possível ir comigo se não for no intervalo do almoço. Eu, apesar de achar algo de muito estranho e até quase inconcebível (os colegas dela que, nos dias anteriores, me tinham atendido nem em tal coisa falaram), acabei por aceitar, dado que se não aceitasse a recepcionista não me deixava entrar na piscina, e eu sabia a falta que me fariam esses exercícios para os meus problemas musculares.
Entrei na piscina e um dos monitores disse para eu ir para a 3ª ou 4ª pistas porque havia lições nas outras. Assim fiz. Durante uns 15 minutos não apareceu ninguém a dizer-me quando devia começar o exame para ver se estava apta. Julguei que, afinal, os monitores que por ali se encontravam, se tinham apercebido de que eu sabia nadar (fiz costas e bruços ou só pernas) e por isso o exame ficara sem efeito. Depois deste quarto de hora em que ninguém me disse nada, fui nadando até meio da piscina, por vezes fiquei a uns dois metros do fim da piscina, dava a volta e regressava ao outro extremo da piscina.
Eis quando o monitor Gonçalo veio junto do fim da pista onde eu nadava, dizendo que eu tinha de sair da piscina (na pista em que eu me encontrava, não havia mais ninguém) pois me classificara como inapta. Fiquei quase em estado de choque, porque eu nem sequer sabia que estivera a ser observada, à socapa, e a ser-me feito o tal exame de apta ou não apta. Como podia ser isso? Então o exame fora feito sem eu ter sido informada de que ia começar a ser examinada? O mesmo processo de examinação foi feito com meu marido que ficou apto, porque, como de costume, ele fizera as pistas do início ao fim. Mas, tal como eu, também ele de nada tomara conhecimento.
Como eu costumo fazer exercícios durante 30 minutos, o monitor Gonçalo conseguiu interromper, sem qualquer necessidade (as duas pistas do centro estavam vazias, como das outras 3 vezes que lá fora, o único tratamento com o qual fico bastante melhor dos músculos.
Parecia que estava a ser motivo de uma brincadeira, 1º pela recepcionista Manuela, agora pelo monitor Gonçalo. Há, como se vê, um desrespeito pela pessoa com deficiência, a quem trataram com atitudes que só revelam desrespeito pelo deficiente.
A piscina municipal do Restelo dá prioridade a nadadores de competição em detrimentos daqueles que praticam a natação e outros movimentos aquáticos, como terapêutica. A recepcionista Manuela Gonçalves não trata as pessoas com educação, o mesmo acontecendo com o monitor Gonçalo. Sem motivo, tratam as pessoas que querem frequentar a piscina com mau modo e desrespeito inadmissível. Acho que não é para afastar possíveis utentes, designadamente deficientes, que ali estão como funcionários.»
5/ Março/2008
Teresa Bernardino
Fonte: Internet, www.harmoniadomundo.net (Março de 2008)
Deficiência é igual a exclusão?!
Este caso do José Leones Lima é um, entre muitos outros casos, de deficientes motores excluídos de uma profissão, por razões absolutamente impensáveis. Muitas dessas deficiências resultam de um acidente ou de uma doença que lhes retirou capacidades de defesa e de superação de obstáculos materiais que, uma sociedade cada vez mais egocêntrica e hedonista, cultora do corpo «perfeito» tudo supera porque não tem limitações físicas.
É demasiado lamentável que uma sociedade que se define como tendo um sistema político democrático, não tenha um serviço governamental suficientemente sério e eficaz para que todo e qualquer caso semelhante não seja de imediato resolvido, como o da pessoa com limitações físicas.
O caso de José Leones Lima deveria ser considerado um dos mais merecedores de atenção, pois foi um acidente de trabalho que lhe retirou as condições para exercer o ofício que desempenhava.
Ainda que agora não pudesse executar certos trabalhos dentro do domínio da sua Licenciatura, outros mais ou menos afins podiam substitui-lo e dar-lhe o direito a exercer uma função na sociedade que tem visto quanto o trabalho executado por deficientes é bem melhor executado do que o executado por aqueles que não sofreram qualquer limitação de ordem física ou mental.
O excelente trabalho das pessoas com deficiência mostra como são exigentes consigo próprias e ambicionam mostrar como as suas sequelas motoras em vez de os empobrecerem ainda os enriqueceram mais, pois têm uma experiência de vida que só o sofrimento físico oferece em abundância.
Dirigir um serviço na área da electrónica industrial (Licenciado) seria o que melhor o recompensaria do sofrimento que o acidente lhe causou.
Esta prova de esforço físico, ao fazer à volta de 700 quilómetros, desde Viana do Castelo a Faro, é sobretudo uma prova de esforço espiritual, porque só uma grande capacidade de sacrifício, de abnegação e de coragem moral, tornam possível a grande viagem, em cadeira de rodas e sob o calor intenso deste Verão que estamos a atravessar...
Que a sua decisão de resistência àquilo que o acidente lhe provocou, mostre bem claramente aos cidadãos saudáveis que se deslocam nos seus confortáveis automóveis, a prova de que José Leones Lima é capaz de tudo fazer para alcançar ser aceite como o profissional que nada impede de continuar a ser um bom profissional.
Resistir à sociedade e insistir, com a força da vitória, na luta que está a defrontar, seja o primeiro passo para inspirar confiança, e não desconfiança, a quem precisa de um profissional com o seu perfil, mas teme a visão da cadeira de rodas em que se move e que é apenas um instrumento para que a sua vida não se perca em actividades que não se inserem nas suas habilitações profissionais.
Uma especial saudação para a sua corajosa iniciativa! E nunca esqueça, que só o facto de a ter tomado já foi uma vitória tão grande que nenhuma outra pode ultrapassar, verdadeiramente!
30 de Agosto de 2007
Teresa Ferrer Passos
Fonte: Internet, www.harmoniadomundo.net
Construindo a Harmonia do Mundo?
O site «Harmonia do Mundo» tem o objectivo de unificar vários espaços de cultura pelo espaço virtual da WEB.
A cultura, vista como aquilo que tudo envolve, é a verdadeira sabedoria do mundo contemporâneo: desde a literatura, nas suas diversas vertentes, até à semiótica, à psicologia, à filosofia…
A ciência, como saber para fazer e como saber experimental de teorias em construção, está pronta para a batalha da luta contra a doença.
Em «H. do M.», a rubrica «Mundo da Criança» recebe uma atenção especial, numa sociedade que continua a não a proteger tanto como devia, através de estratégias educacionais.
O tema «Ensina-me a Viver» é dedicado ao templo da Deficiência Motora/Mental, também uma área social a ser desprezada por aqueles que a Saúde bafeja.
Outra página trata da «Teologia e da Religião», ainda a trave-mestra em que se apoia uma grande faixa da humanidade.
«Notícias» é a área que nos traz a esperança de uma sociedade mais dignificada. A ela, junta-se a página de notícias que nos espantam, que nos atravessam o coração como uma espada e a que chamámos «Pedra de Escândalo».
Ainda no site «Harmonia do Mundo», uma página direccionada para o tema da «Informática», informática que está a formar uma nova geração, a dos internautas.
E a informática computacional é uma «pedrada no charco», perante os meios até hoje usados pela Civilização do Livro ou Livresca (tudo é estudado a partir de um suporte de papel).
Esta mesma Civilização do Livro que está a entrar em declínio, ante as imagens e a escrita de uma comunicação social, que pode ter o tamanho do mundo na grande WEB virtual.
Neste «sem lugar» da internáutica, ergue-se uma imensidade de pensamentos que esvoaçam pelo mundo das redes computacionais, em busca de um eco, na fantasia magnífica de ser escutada e escutar.
«Harmonia do Mundo» em busca da harmonia de um mundo desavindo, cruel, desesperado, em busca da paz que brota da alma e não se vê, em busca de um caminho que conduz à palavra do encontro fraterno e desvia dos juízos temerários que começa a defender mais o vitimador do que a própria vítima.
Não queremos e, por isso, não seguimos o caminho que é percorrido pelo silêncio dos cúmplices ou pela fala dos perversos.
As horas para a harmonia do mundo não se podem perder com as falácias ou com as habilidades próprias daqueles que se proclamam bem-intencionados.
Começámos por uma pequenina partícula de harmonia internética, somos muito poucos, mas, mesmo assim, não vamos deixar de usar o instrumento que nos resta, o das redes internéticas.
Desde há dois meses e meio, procuramos fazer deste site um espaço virtual de verdadeira Liberdade, ou seja, um espaço de defesa das margens sociais vítimas da injustiça e do sofrimento, vítimas da humilhação de um mundo de prazeres desenfreados como o mundo do sexo, o mundo da droga, o mundo em que a venda de crianças e a sua utilização na guerra, se tornaram um dos maiores escândalos de todos os tempos, desde que a barbárie foi superada pela civilização.
Uma das normas deste site internético é a rejeição dos exemplos nefastos, daqueles exemplos que podem conduzir à imitação do mal. É preciso mostrar a superioridade do Bem sobre o Mal. E, para isso, não basta a exibição, jornalística ou literária, de actos maléficos, com o argumento de que denunciar chega.
Acreditamos que denunciar o mal só para o denunciar, não é vantajoso à sociedade humana porque não conduz necessariamente à prática do bem. Pode mesmo induzir à repetição do erro.
Acreditamos que a prática do bem se alcança com exemplos de agir bem. A prática do bem implica palavras e actos que indiquem a beleza do Bem, revelem a vantagem do Bem. E mostrá-lo, implica pô-lo em prática.
O site «Harmonia do Mundo» continua aqui e de pé, porque vê a beleza do Bem e quer transmiti-la ao mundo.
12 de Setembro de 2007
Teresa Ferrer Passos*
* Ortónimo de Teresa Bernardino.
A Cultura e a Internáutica Geração Contemporânea
As grandes editoras vivem à custa de livros cuja linguagem é simplista e pouco deve á imaginação. A literatura tornou-se um entretenimento, um «hobby», em que as temáticas abordadas são mais importantes do que a arte com que se transmitem as ideias. As técnicas literárias perderam a qualidade que era apanágio do escritor. Afinal, quem se preocupa com elas? Esqueceu-se a importância da estética em relação ao conteúdo. Quando os críticos literários abordam os livros mais vendidos, só constitui motivo dos seus artigos (Folhas literárias de jornais, de revistas, etc.), por vezes bastante longos, a temática sobre a qual o autor se debruça.
O que é importante, parece sê-lo cada vez mais, para a sociedade contemporânea, são os assuntos sobre os quais a narrativa se desenvolve até à exaustão, ao longo de muitas centenas de páginas. São vulgares os livros com quatrocentas, quinhentas ou seiscentas páginas. Também nas entrevistas aos autores, estes são confrontados com perguntas sobre questões exclusivamente respeitantes aos motivos ideológicos, pessoais ou sociais dos seus romances. A arte é uma anti-arte, cada vez mais acentuadamente.
O novo mundo aberto com a rede internética tem potencialidades que podem provocar o colapso da indústria livreira e de todo este flagelante universo literário. O ciberespaço é um «não lugar» em que todos os lugares podem surgir em simulações de novos espaços. A literatura, a ciência, a cultura em geral, descobriram que podem dialogar sem um lugar definido. Está a entrar em colapso a área demasiado restrita, que é a sede da editora. Esta é, não raras vezes, também um armazém de livros amontoados, à espera de um distribuidor que, às vezes, nunca vem, ou vem para deixar os livros em outros depósitos, os depósitos dos shoppings ou das livrarias das cidades.
A livraria é um lugar em que só os autores que têm um pesado marketing (cobertura) jornalístico têm espaço para entrar, e, em primeiro lugar, na montra. A confusão nos placares deixa o visitante/leitor numa angústia de escolha. Esta angústia é decorrente do facto de só saber o que deve comprar a partir do que dizem os críticos dos jornais ou revistas de larga difusão. Sem esses críticos que seria do leitor perante a panóplia de dezenas e dezenas de romances, desde os de autores estrangeiros aos nacionais?
Um portal internético com os seus links é acima de tudo um excelente «não lugar» porque está cheio de espaços novos, sem fronteiras, com resumos de obras editadas, sem restrições de gostos ou de interesses político-ideológicos. Os lançamentos em livrarias conduzem a gastos inconcebíveis com cartões enviados pessoalmente pelo correio (amigos, correligionários políticos, familiares, etc.). Depois as vendas são irrisórias porque na maior parte dos casos as pessoas presentes já receberam exemplares oferecidos pelo autor ou esperam vir a recebê-los. Mas o mais importante são os cocktails oferecidos pelo editor que nunca é compensado pelo número de exemplares vendidos aos convidados. Outras vezes, são salas de livrarias vazias ou anfiteatros de Universidades ou de Centros Comerciais, com lugares que ninguém ocupa.
As editoras que publicam apenas em suporte de papel, dentro de algumas décadas, não terão público leitor, a não ser a preços exorbitantes. O declínio da impressão em papel está à vista. O negócio editorial que se fundamenta na exploração do autor pelo grande editor, pelas grandes distribuidoras e pelas livrarias das grandes superfícies, está a caminho de futuras falências. Para adiar a falência, as grandes editoras esforçam-se por publicar obras menores (conteúdo e estética literária), mas com os ingredientes indispensáveis à sua massificada comercialização (por exemplo, espessos volumes com capas graficamente aliciantes). Muitas livrarias já fecharam, outras sobrevivem só graças aos livros ditos best-sellers, sempre êxitos comerciais. Até os grandes editores que nunca tiveram pejo em enriquecer à custa dos autores, oferecem-lhes pelas suas obras uns 8 a 10% ou menos, sobre o preço de capa no momento do lançamento das obras. É o caso de Publicações Europa-América que chegam a pagar ao autor, ao fim de décadas de comercialização actualizada do preço do livro, 10% sobre o preço já irrisório com que o livro foi posto à venda no primeiro ano de publicação.
Os pequenos editores recorrem aos Apoios Financeiros de Empresas mecenas ou a Câmaras Municipais, a quem os autores os solicitam, se eles próprios não têm possibilidade de o fazer. Quanto à distribuição das suas publicações encontram grandes entraves porque as distribuidoras só aceitam fazer um contrato, se o volume de obras for de milhares. Por outro lado, onde o livro ainda é relativamente bem vendido é nas grandes superfícies e nos Centros Comerciais das cidades de Lisboa, Porto e Coimbra. Mas aí só entram as obras, na maioria dos casos, de menor qualidade ou as de autores já muito conhecidos. O livro impresso tem os dias contados. Cada vez há menos pessoas a comprarem livros e menos ainda a lê-los. Tendem a tornar-se objectos decorativos de prateleiras ao lado de outros objectos decorativos.
Estamos numa época semelhante ao século XV em que o livro impresso retirou das bibliotecas o livro manuscrito. O livro manuscrito ficava caríssimo em relação ao livro impresso. Se o livro impresso tornou o livro acessível a um número de pessoas cada vez maior, o livro electrónico também se tornará quase gratuito para os leitores e estes só adquirem o livro impresso se o desejarem. Uma revolução cultural está em curso com o alargamento do uso do computador pessoal e a Internet a um número cada vez maior de internautas (milhares de leitores tornar-se-ão milhões).
No «não lugar» da Internet a palavra ganha as dimensões do planeta. A leitura dos jovens está a virar-se, de modo acelerado, para o ecrã computacional. Nem já a televisão ou o cinema colhem as antigas plateias de espectadores, a não ser aqueles que já ultrapassam a idade madura. A juventude aderiu em massas cada vez mais significativas à WEB. Os sites são visionados por públicos com uma diversificação ideológica impressionante.
Estamos a entrar numa civilização computacional que avassalará todos os anteriores instrumentos da escrita, até os substituir completamente. A imagem impera porque a imagem virtual seduz uma sociedade que nunca suspeitara da sua existência. O ecrã computacional oferece um manancial de respostas incalculáveis, nunca imaginado na História da sociedade humana. Cada vez mais a compra de livros em suporte de papel se torna uma atitude de intelectuais.
A facilidade com que se circula na Internet permite que tanto se possa consultar uma enciclopédia, um dicionário, um artigo, um romance, um conto ou um livro de poemas. Quem tem maior poder de compra pode adquirir um livro impresso em papel por via da Internet e recebê-lo poucos dias depois na sua casa. Aqueles que não têm tempo para folhear os livros nas livrarias, podem também ter acesso rápido à leitura, sempre que em casa tenham uns momentos de descanso. Folhear os livros torna-se possível num site cultural (ciência, literatura, teologia, tecnologia, filosofia, etc.), se o disponibilizarmos nessas espantosas imagens computacionais, a qualquer momento on-line. A civilização computacional está aí.
Estamos a construir um portal internético e editor chamado «Harmonia do Mundo». Destina-se àqueles que desejam navegar nos grandes espaços virtuais da Internet com o objectivo de ter acesso e colaborar na elevação da cultura universal, nas vertentes mais altas da dignidade humana, ou seja, inspirando-se nos valores do cristianismo, que construiu a civilização europeia a que pertencemos.
* O Primeiro de Janeiro (23/4/2007); Notícias de S. Braz (Março/Abril 2007); Internet, www.triplov.com (5/5/2007);Internet, www.harmoniadomundo.net (2/9/2007)
** Ortónimo Teresa Bernardino